Este modesto espaço concentra forças essenciais de todos os tipos, com seus próprios valores, qualidades e imperfeições. Aqui, neste virtual ambiente democrático, quem fala não sou eu, mas eus. Por esses campos ecoam perdidas vozes daqueles que têm tudo para falar livre e abertamente, contudo não o fazem, ou melhor, não o sabem, por falta de boas opinião e formação. Portanto, o que por aqui se fala, por aí se ouve. O que por aqui se escreve, por aí se lê. .
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Faces
Mais
"Mais, foi a primeira palavra que eu me repeti intensamente em minha infância: 'maise, mamãe, maise...'Fosse guaraná, fosse coca-cola; fosse coca, fosse cola; fosse amor ou desamor ou qualquer outra espécie de dor.
Eu quero é mais ser imortal!! Quero ser o meu futuro ancestral.
Quero mais tabacaria, mais pessoa, mais maria, mais vinho, mais poesia..."
Angela Ro Ro
Palavras
Nunca paro para descansar.
De meio a meio, me eternizo - infinito-me os dias.
Em meu seio sertãneiam vidas, colos, veredas, léguas, amores, milhas.
De meu meio - dependem croas, povoados arrecifes, canoas, ribeirinhos, ilhas.
Sigo o meu rumo, solto-solitariamente,
percorrendo oportunas vias.
Sem arrumo - centrado, largo, interno, intruso, estreito.
Redemunho, esquerdo, avesso, diluso, direito.
Sou de lua, de momento.
Sou do barro, de Janeiro.
Minhas águas, que não param, de março!
Ao céu, me divido, inundo, encharco, preencho, riacho, encho, acho - acerto.
Transbordo, derramo, pingo, mino, escorro, gotêjo, vazo - érro.
Me enuveio: evaporo, deserto, sigo sozinho, queimo, mínguo, séco.
No ao-longe, no perto me deserdo - viro lama, mangue, pântano, alagadiço, breu - viro bréjo!
Mesmo assim, questiono em fluir, caudaloso-sereno, abrindo caminhos sempre libertos - ora pro raso, ora profundos.
Às vezes bóio, inspiro, flutuo, sô rio, nado.
Noutras péso, afundo, submêrjo, chóro, nauseabundo, naufrago.
Mato minha sede com lágrimas.
- Deus Esteja!
Afogo saudades no esconço do meu leito.
Pedras brotam em meu caminho, entrepranto, apesar de tanto bater, nonada,
não consigo furá-las, em cheio, no peito.
De espanto de esbarro, ando à procura de minha terça margem, por entre clareiras, enquanto paus de árvore enormes insistem por encalhar às beiras.
Precipito, agito, côrro, corredeiras.
Rio abaixo, Rio afora, grutas, cascatas, nascentes, foz, cachoeiras.
Rio adentro rodamoinhos enormes - tororõmas, fervimentos, marés - peixes, pataxós, krenakes, jacarés - pássaros aos borbotões.
correntezas, trombas d’água, tombos, aguaceiros, sumidouros, juncos, arrastões.
Enxurradas - enchimentos, cheias, fins de mundo, tsunamis, torós, turbilhões.
Demasia das enchentes, correntes, tormentas, torrentes, subimentos, sacolejos, borbulhares, sopros, borbulhões.
Lendas, sereias, tesouros, ventos, tempestades, raios, relâmpagos e trovões.
Num contrafluxo indissolúvel:
- Quero, logo, desaguar no mar!
Escuridão
Falta de Luz,
Treva.
Contrastes mais Fortes,
Penumbras,
Silhuetas,
Guerra.
Falta de Iluminação,
De Calor.
Predominância de todo tipo de Sombra.
Pesadelos,
Betume,
Negrumes,
Insônia.
Luz Própria não se compra na esquina,
Não Brilha por Vontade Própria,
Não se Barganha.
Há de Tê-la ou não Tê-la!Não se Arranja ou Ganha.
Se Tem.
É Nata.
Vem de Dentro o Clarume.
Na Noite, busco o meu Sol.
O Tato se Aguça.
Para Situar-me, Busco a Luz de um Farol.
Vejo Nada.
Não Vejo mais aquela Luz no Fim do Túnel.
Só essa Dura e Latente Escuridão.
Cão sem Plumas
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio...
João Cabral de Melo Neto
Simples Poema
O Rei
Sem rainha, sem castelo, sem corte, sem circo, sem coroa?
Onde está meu trono? Meu cajado?? Meu manto???
Meus navios, ferozes couraçados de robustos cascos,
Colidiram suas duras proas aos penhascos.
Minha tripulação está por um fio.
Meu exército, cambaleado, fraquejou na frente de batalha.
É como navalha que num dos gumes meu peito rasga e, noutro,
O leito de meu rio, de janeiro, talha.
Estou vulnerável.
Sem torre ou cavalos, escudos ou muralha.
Indefeso a ataques bárbaros e tecendo, com lágrimas de sangue,
Minha entrelaçada mortalha.
Todavia não para breve!!
Hei de voltar com toda a minha força,
E que para a forca o vento leve,
Se por acaso ou ironia,
Minha vida não quiser me pagar o reino que há tanto me deve.
Afinal de contas eu também sou Rei!!
Todos somos, cada um com o seu reino.
Respeite para ser respeitado.
Raios!!
E agora?
O que fazer??
Para onde ir???
Sei que preciso reunir minhas forças interiores,
Para, de cabeça erguida,
Reaver o que,
por direito,
é meu.
Recuperar o meu reino.
Enfim,
Que Rei sou eu?
Rei Nato TouzPin I
Os três
o Amor e a Alegria.
Nossos momentos, agruras, iras.
Silênciar
Sépia
Terra seca,
Sol, Sertão.
Sede de chuva,
Fome de tons,
Secura, Solidão.
Somente cactos,
anunciando fartura,
Brotam, verdes,
solitários, do chão.
As borboletas, concentrando olhares e desejos,
Roubaram as cores da paisagem.
Ao longe, ao litoral, à terceira margem, ameaçam desabar tempestades.
Estou desidratado, desnutrido, desolado, encasulado,
Dependendo do tempo e do assoprar dos ventos para matizes respirar.
Observo com olhar desbotado, sépia.
Preciso cores germinar.
Não Ser
Submarino
Submergir do raso para o fundo.Para longe do ficar ao acaso,
De braços bem dados,
Mergulhados com o profundo.
Banhar-me com águas-de-cheiro colhidas em jardins próximos aos corais mais coloridos.
Reconhecer que distante de mim,
Eu era desconhecido, seco, sozinho.
Catar conchinhas, pérolas e estrelas, no céu marino.
Pegar carona com golfinhos, pescar sereias, cavalgar cavalos marinhos.
Permissão a Netuno para ali enamorar.
Para bons fluídos, a benção de Iemanjá.
Ao emergir, afobado, sentir saudades das guelras que davam-me ares,
E, com isso, emarasmar.
Entediar-me. Em minha ilha me isolar.
Agora, mesmo que contra correntezas e marés,
A favor de minhas ondas, irei remar.
E, para reproduzir, rio acima irei nadar.
Gerar vivas nascentes, quentes cores refratar.
Dar um tempo da mesmice.
No subconsciente, de cabeça, mergulhar.
Fazer dos mares meu quintal, dos oceanos o meu lar.
De uma vez por todas e enfim emarar.
Mudar da superfície.
Me aprofundar no mar.
Meu desejo mora lá.
Quero namorar.
Quero lá morar.
Sumir um pouco da terra.
Ir no mar morar.
Boa Sorte

Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Vanessa da Mata
Renascer
Às Avessas
A inspiração está desaparecida.
Nos tempos de hoje, Ela não mais dá as caras com tanta facilidade.
Poucas coisas, à deriva, do todo produzido pelo homem, Dela derivam.
Todos os que escrevem, escrevemos desprovidos dela,
por uns remotos tempos presentes.
Ela se foi.
Foi-se.
Foice...
Hoje, é preciso obter de tudo, a qualquer preço.
Terceiriza-se até a pobre, coitada e desnutrida inspiração.
Assim e aos poucos sopros, ela se esvai, vai-se.
As poesias apenas têm palavras grafadas noutra ordem.
Nada querem dizer. Nada dizem.
Aliás, tudo querem dizer, contudo, tudo ao mesmo tempo,
Distingue-se nada e subentende-se que nada têm a dizer.
Não é culpa dos escritores.
A culpa é do estado atual do comportamento humano,
que não conseguindo viver a paz,
num pequeno planeta desses como a Terra, acabam por corroê-la, gelando a espinha e apertando o nó no pescoço da infeliz Inspiração.
Os sensacionalismos mais bárbaros, os preconceitos e a falta de liberdade, gritam juntos, por aí, em nossa mídia, espantando a inspiração dos observadores que, além da mera observação,
não conseguem impedir-se de escrever algo a respeito do que vêem, seja lá com que gênero for,
mesmo que algumas tortas e ébrias palavras de afeto ou desafeto.
Precisamos fazer alguma coisa! Criar algo. Afetar-se.
Procura-se a tão pouco aclamada inspiração.
Como recompensa, o sorriso e a emoção.
Nada de mais interessante, esses dois aí, têm a dizer mesmo.
Então que, ao menos, sirvam de mercadoria escambótica.
Causa revolta, causam revoltas.
Venha, me dê a sua mão, Querida.
Eu não consigo mais terminar nada do que faço.
Sempre deixo por fazer, pela metade ou para trás.
Não concluo nada.
Não fecho ciclos. Não construo ninhos.
Não desempenho minhas atividades físicas, profissionais e espirituais.
O despertador, quase sempre, nunca funciona.
Chego atrasado em meus compromissos.
Estou triste e caduco sem você.
Preciso te reencontrar.
Encontrar-me.
Cadê você, Inspiração?
Venha me abraçar.
Quero você.
Quero cantar.
Quero mais.
Quero ler, ser lido.
Gravar um curta.
Projetar um longa.
Ter um livro, escrever um filho.
Venha, eu te espero.
Como colírio aos meus olhos,
Você fará novo e nitidamente o meu enxergar.
Venha, nem que seja nos meus sonhos, me beijar.
Sinto saudades.
Quero você por perto.

Ainda é cedo, amor.
Quero tudo.
Quero tudo dizer.
Tenho tudo a dizer.
Todavia, não digo nada.
Algo está faltando.
Estou órfão.
Parece que só expiro.
Suspiro.
Fico mudo.
Às avessas.
Descoberta
Quando olho no espelho, é você quem vejo.Ao tomar banho, é pra você que eu canto.
Só em pensar, vejo o teu cheiro.
Ao sorvê-lo, sinto todo o encanto.
Nesse exato momento, quero te dar um beijo.
E, em mim, você deve estar pensando.
Não tem essa de quem chegar primeiro.
A telepatia antecipa os planos.
Agora, mesmo que não queira,
No teu sangue estou rodando.
Percorrendo tuas veias,
Vendo por debaixo do pano.
Uma coisa é certa,
Pode escrever o que estou falando,
Eu, Renato, estou de boca aberta, viajando,
Mas meu cérebro, em alerta,
Pois, mesmo acordado, com você fica sonhando.
Fiz uma descoberta:
Creio que estou amando!
Fio
Na vida,
Quase sempre nos perdemos em meio a dúvidas e pensamentos obscuros e, em neles mesmos, nos achamos.
Damos voltas no momento, pelo nada caminhamos.
Algo perdido dentro de nós, por toda parte, procuramos.
- Por acaso, você viu meu olhar por aí?!?
De repente perdido no olhar de alguma menina.
Jogado na sarjeta, tonto na esquina.
Soterrado no aterro, afogado na piscina.
Sei que neste primeiro instante, primeiro preciso me encontrar.
Por aí me achar.
Buscar sobre a terra o meu lugar ao Sol, ao Luar.
Alternando “estrelas” na noite, pulando de bar-em-bar.
Arrepio.
Rastro.
Sinto frio.
Embebedo de saudades minha alma.
Meu desespero entra no cio, perco a minha calma.
E como Carioca, morador do Rio, me pergunto como deve ser,à fundo, essa tão falada e aclamada maravilha.
Danço com o Cristo, cantarolo às tristes trilhas.
Sufoco aos novos ares, pelejo a minha sina.
Mas é certo que quem procura acha!
E balançando o meu corpo gingado pelas ladeiras e quebradas, carrego essa enorme e descolorida faixa, que trás entre aspas em Caps Lock e em negrito, um anúncio em que vem escrito:
- “Você viu o meu olhar por aí???”
Enloucrescer
Sátiras, ironias, humilhações.
Coitadas pessoas à mercê de pragas disseminadas e contaminações.
Coitadas são, pois não têm a menor culpa nisso.
O inconsciente dita as ações, desde o início.
São meros joguetes da sorte.
Eles mordem e assopram uns aos outros, sorrindo,
Enquanto secam os decotes das esposas de seus amigos do peito.
Elas, falam mal dos maridos, fofocam, arrumam quaisquer defeitos.
Drogas, diferentes tipos de sexo e muito roque e rua,
Apresentam suas celebridades.
Personalidades horripilam-se, destacam-se.
Destoantes, em moinhos, embaralham-se.
Intérpretes, comediantes, palhaços,
Todo estereótipo surge, egocêntricos, no picadeiro.
A platéia delira.
Todo tipo de asneira se vê nessa hora, ora diz-se, ora escuta-se.
A intenção é azucrinar alguém, enquanto outros se riem,
Escancarando os dentes sem saberem bem ou mal o por quê.
Quase sempre não há graça real.
Ri-se dá desgraça.
Isso é um cruel sintoma do inconsciente coletivo.
Que leiam e estudem,
Aprendendo a corrigir propícias falhas próprias,
Derivadas do Inconsciente social dos últimos tempos,
Que de sempre se ridiculariza.
Melhorem.
Percebam.
Que plantem e colham fantasias.
Sorriam felizes de verdade.
Ganhem e dêem alegria, vivam-na.
Aceitem as diferenças e não idealizem-nas.
Não liguem-se apenas ao corpóreo, conscientizem-se.
Enxerguem as distintas matizes existentes e bem observem-nas a fundo.
Senão, ao menos, tenham cuidado ao tentarem alterá-las.
Respeitem-nas para que obtenha delas respeito.
Cada uma tem o seu tempo de aprendizado, de transformação.
Não se deve julgar ou criticar, mas observar e sugerir.
Realizem.

Aprendam.
Ensinem.
Evoluam.
Enloucresçam.
Procura-se
Rio acima, à espera, à espreita,
Num canto, num beco, à margem, à beira,
Introspecto, encontro-me, de certa maneira,
Limpando de meu cérebro o mofo, a poeira,
Sacundindo meus ossos e
Redesvirando de cabeça-pra-baixo minha avessa cabeça,
À procura de minha paz.
Está por aqui, tem de estar.
Camuflada, escondida, sob destroços, dolorida, achada, perdida,
No meio do nada e mesmo que, de tudo um pouco, ferida,
Ela, contudo, por aqui deva estar, n’algum lugar.
Soube que ela queria se entregar, desistir.
Pular, sumir, fugir, se jogar, se partir, voar, ir.
Procurei, mas não a vi.
Se, por acaso, nela esbarrei,
Nem sequer senti.
Cadê você?
Está escuro.
Não lhe vejo.
Vem, segure firme a minha mão, amiga!
Você é minha.
Não vê isso não? Se liga!
Venha, vamos. Corra, querida!
Em minha vida quero, intensamente, usufruí-la.
Dar-te-hei flores, girassóis, um mar-de-rosas, margaridas.
O sol, o mar, oceanos, ilhas.
Às horas quero improvisar.
Nada de repetição.
Nada de dublê.
Quero ao vivo e à cores,
Numa fração do já,
Gozar o real prazer.
Experimentar paixões colhidas, na hora, do pé.
Sol brotando, passarinhos cantando, roça, mato,
Cheirinho fresco de café.
Observar, em contraponto e contrariado, que a moeda tem dois lados.
Sentir, na pele, os espasmos ao embeber absinto e ópio, mesclados,
Oferecidos com gosto e na bandeja, por sarcásticos.
Todavia, mesmo assim,
Nas frestas, na lama, na sargeta,
Continuar buscando.

Noutra casa, cidade ou planeta.
Em algum lugar creio que esteja.
Anseio acasalar com você,
Doce e almejada emoção.
Meu peito lhe pertence.
Meu cérebro,
hoje,
sobrevive em sua função.
Oh, paz!





